Este texto é uma tentativa de síntese de toda e qualquer situação de separação, abordando tanto sentimento quanto razão. Pede-se que se leia sem pressa, com toda a calma e todo o cuidado possíveis:
O DILEMA DA SEPARAÇÃO
(Guilhermo Brasil Rasquin, 23 de junho de 2008)
Vejo situações de separação como um tipo de motor de nossas escolhas: unir-me ou separar-me? Quando escolho por um ou por outro – entre me ligar ou me desligar de algo/alguém – traço os caminhos que desenharam o trajeto de minha vida como indivíduo até agora. E quando sinto que não posso escolher por mim? E quando certas situações me fazem parecer, por si, terem decisão exterior à minha capacidade individual de escolha?
Mesmo neste caso, o do dilema, trata-se de uma opção minha, e ela já está dada: me decidi por estar preso. Geralmente, quando isso ocorre, o decidir prender-me ao esperar-pela-escolha-que-parece-não-ser-minha situa-se no puramente individual através do desejo pessoal por algo que já em si não me pertence. E que talvez nunca me pertencerá, pois é mera abstração de meu querer individual, infinitude paradoxal de origem racionalizante, algo impertencível. Trata-se ironicamente de um problema insolúvel e cíclico que gira em torno de si mesmo unicamente em meu pensamento, tendo como centro e fonte de movimento o simples fato de eu sozinho desejar que seja girado. É ter o sofrimento, a angústia, a esperança, o desejo, fazendo violenta pressão equânime para ambos os lados de uma balança com base incerta, persistente em sua imobilidade. Ou aparentes e intensos desejos contrários pressionando, um de encontro ao outro, lados opostos de uma parede inerte de receio e dúvida que é, na verdade, o próprio desejo pré-desejado. O dilema é o decidir por estar preso ao próprio dilema.
Porque faço isso? Qual o motivo em querer me prender à minha própria hesitação? Talvez haja uma necessidade racionalizante do choque de personalidades dentro de mim para que uma escolha legítima seja feita. Como se dois reflexos espelhados, representando minhas opiniões racionalizadas extremas e rivais, se espremessem um contra o outro, fazendo nascer dessa batalha um Eu completo, indeciso, paradoxal – contudo consciente de que a terceira possibilidade (senão a primeira), a da incerteza cíclica, já fora escolhida até mesmo antes de tal duelo amalgamático.
Em situações de separação há uma sensação criada por mim de haver outro-que-não-eu-decisivo, uma tentativa pessoal de escapar do individualismo. Crer nessa aparente sensação leva-me ao âmago do dilema.
Chamo separação o momento decisivo de optar entre escolher ou não essa dúvida (o dilema). É quando me dou conta de que algo/alguém já em si não me pertence (nunca pertenceu e nunca me pertencerá) que me vejo, por costume de apego materialista, no dever de escolher entre escapar do dilema ou optar por me prender a ele. Sendo que, quando tento aparentar nada escolher, na verdade decido mergulhar no dilema em toda sua profundidade.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
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