sábado, 10 de janeiro de 2009

A vida imita a arte ou a arte imita a vida?

Muitas vezes flagro conhecidos meus definindo-se, consciente ou inconscientemente, de maneira semelhante ou idêntica a de um estereótipo já convencionado artísticamente, assim como reconheço em personalidades artísticas perfis psicológicos semelhantes ou idênticos aos de conhecidos meus.
Afinal, quem imita o quê?
Confundo-me, quando vejo no comportamento de minha coleguinha de faculdade a Capitu de Machado de Assis, ou reconheço no amiguinho de festas o Capitão Rodrigo. Por outro lado, noto em Gregor Samsa um quê da personalidade de meu pai, ou todos os traços de meu primo nos gestos de Philip Carey (ainda mais quando surgem Mildreds para atormentar); quando meu tio se define como um Tarzan, então, é um sarro.
Conheço a psicologia filosófica (ou tento conhecer) de E.T.s, Forrest Gumps, Capitães Nascimento... tanto quanto as de meus familiares.
É realmente complicado responder a pergunta, mas eu afirmaria que um imita o outro e o outro imita o um. Ou, analisando por outro viés, posso definir que ninguém imita ninguém. Um transforma o outro e ambos se misturam.
Quando se cria uma personalidade, se faz arte. E se faz vida também. Pensa-se ser de uma maneira, quando se está transformando um personagem já existente em si mesmo ou no outro. Reconhecer perfis, e não classificá-los, também é uma maneira de se criar personalidades - e transformá-las concomitantemente.
Quando se reconhece este processo criativo, unem-se o estético e o vital em um mesmo universo, onde arte e vida são uma coisa só. Fundem-se, transformando-se, os personagens em um amálgama heterogêneo do mundo do Eu e dos outros.

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